1 de setembro de 2019

Réplica do primeiro ônibus do mundo é construída em Curitiba

"Em 1895, na Alemanha, circulava o primeiro ônibus do mundo. A invenção do engenheiro Karl Benz, fundador da montadora Mercedes-Benz, fazia o trajeto de 15 km entre as vilas de Siegen, Netphen e Deuz no sul do país europeu. Mais de um século depois, em 2019, uma réplica foi construída em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, pelo caseiro aposentado e carpinteiro Galeano Dias de Oliveira, de 68 anos. Ele usou apenas uma fotografia antiga para se basear na produção da réplica, feita com as próprias mãos, com peças e ferramentas que ele mesmo criou em sua oficina. 



A réplica é fiel ao veículo original, que substituiu os bondes de tração animal no transporte de passageiros. O ônibus de Pinhais levou dois anos e sete meses para ficar pronto, ao custo de R$ 24 mil. A diferença é que a versão de Galeano transporta seis - quatro dentro da cabine e duas na frente, contando o motorista - e o veículo alemão tinha capacidade para oito. Para homenagear a Mercedes-Benz, mais antiga empresa do mundo a comercializar veículos motorizados, Galeano leva sempre a bandeira da Alemanha no veículo, além da marca da empresa no volante e na parte da frente do ônibus." "Quando terminou a parte de cima, percebeu que ia precisar de ajuda. 

De cor vermelha, as acomodações de couro foram todas costuradas de sua esposa, Maria Liberta Barbosa de Oliveira,de 68 anos. Para ser montada, a réplica precisou de madeira, ferro, bronze e couro. O carpinteiro contou com a ajuda de um amigo que doou toda a madeira usada na estrutura do carro. Para as peças de ferro, juntou panela velha, latinha de cerveja e tudo que pudesse ser derretido para que ele mesmo montasse as engrenagens. “Fiz uma caldeira e ia derretendo o ferro para criar as peças. Até panela velha usei na mistura”, ressalta. No entanto, apesar de conseguir a doação de muitos materiais, ele precisou comprar bronze, couro, vidro e uma buzina importada. “O que mais gastei dinheiro foi com o bronze e o couro, que são caros. 

A buzina também, tive que comprar na internet”, conta. Uma das etapas que também tomou tempo do carpinteiro foi o teto, que exigiu criatividade: ele mesmo inventou as ferramentas usadas para montar essa parte do veículo. “Como não existia nada para o que eu precisava fazer, eu mesmo criei as ferramentas. Esse ônibus pode apodrecer, mas nunca vai desmontar”, diz, orgulhoso, Galeano. Galeano perdeu as contas de quantas peças construiu para colocar o ônibus em pé. E há uma que ele não consegue esquecer.



A engrenagem usada nas duas rodas traseiras, que puxa a corrente, foi o que tirou o sono do aposentado. “Fui em vários lugares perguntando se faziam essa peça. Pediam um modelo para montarem uma igual, só que eles não entendiam que não existia uma peça para tomar de exemplo”, lembra o carpinteiro. Com muito custo, decidiu que ele mesmo ia fazer a engrenagem, assim como fez com outras peças. Galeano conta que esse foi o momento mais difícil e que nessa hora até pensou em desistir. “Descobri que a correia tinha que ter dentes em número ímpar e não par. Isso complicou minha vida, quase desisti”, diz Galeano sobre a peça que auxilia o giro da engrenagem. Após conseguir construir sua própria engrenagem, Galeano foi atrás do motor para botar a réplica da Mercedes-Benz em movimento. Ele modificou o motor de uma uma moto e fez com que o veículo de 2,31 metros alcançasse a velocidade de 15 km/h. Com uma pequena alteração, adicionou até marcha ré. O motor, assim como do original, foi montado na traseira do veículo, dentro de um caixote.

Motivações 
O motivo de tanto esforço de Galeano nasceu após a chegada da aposentadoria. “Velho não pode ficar parado, se não morre”, brinca. Caseiro por 23 anos na casa do empresário Sérgio Prosdócimo, falecido em 2018, Galeano já havia construído uma carroça para facilitar seu trabalho na chácara e reformado um carro antigo da coleção do patrão. Contando com a experiência e criatividade, quando ganhou de Prosdócimo um quadro com a fotografia do primeiro ônibus do mundo, Galeano não pensou duas vezes e começou a construir. “Eu me baseei só pela foto. Algumas coisas eu mudei, como o formato da porta, mas o principal está tudo aí”, confirma Galeano

Novo projeto 
Feliz com o resultado, o mineiro - que mora em Pinhais há 42 anos - já está pensando no próximo desafio. Galeano quer construir agora outra réplica de ônibus, dessa vez um modelo de 1910, que ele também viu em uma foto. “Quando eu era criança tinha muita ideia, mas pouco dinheiro. Agora que tenho uma condição melhor, vou aproveitar para fazer essas coisas”, anima-se o carpinteiro. Para construir o próximo ônibus, ele precisa vender a réplica do Mercedes-Benz 1895. “O próximo vai ser bem mais fácil de fazer. Esse eu tive que construir peça por peça, mas valeu a pena”, constata. Galeano não informou um preço que sugere pelo ônibus, porém, aceita propostas pelo e-mail de sua filha, miriandiasdeoliveira@gmail.com."


Ônibus do Rio